Projeto Ockham

N° 14 • 23 Out 05

Design Inteligente e Astrologia
A batalha judicial entre a evolução e o criacionismo continua. O destaque dos últimos dias foi o testemunho de Michael Behe. Ph.D. em bioquímica e professor da Lehigh University, Behe (foto ao lado) é um dos principais nomes do movimento a favor do design inteligente. Como professor universitário, com artigos publicados em revistas científicas (sobre bioquímica, não sobre design inteligente), Behe é uma espécie de símbolo - o cientista criacionista. Mas seu testemunho revelou algumas curiosidades sobre suas opiniões a respeito da ciência.

Behe admitiu que não existe nenhum trabalho sobre design inteligente, publicado em revistas científicas sujeitas a revisão ("peer-review"), que apresente dados concretos. Mas ele diz, por exemplo, que seu livro, "Darwin&apss Black Box", passou por uma revisão ainda mais rigorosa do que a aplicada a artigos de revistas científicas. Enquanto estes artigos são geralmente avaliados por dois revisores, ele diz que seu livro foi revisado por um número muito maior de cientistas. A curiosidade que veio à tona no tribunal é que apenas um deles realmente recomendou, ao editor responsável pelo livro, que o livro fosse publicado. E este revisor, o Dr. Michael Atkinson, da Universidade da Pensilvânia, na verdade nunca leu o livro, apenas se baseou em uma curta descrição transmitida em uma conversa telefônica de dez minutos.

Behe também explica por que ele acha que conferências científicas não são locais adequados para divulgar suas teorias sobre o design inteligente, já que a atenção recebida não seria suficiente para explicar o design inteligente de forma apropriada. Mas teorias muito mais complexas, que, ao contrário do design inteligente, têm montanhas de dados experimentais e mecanismos propostos, são discutidas rotineiramente nessas conferências. Logo, conclui-se que o problema não está nas conferências...

Outra curiosidade foi a definição de ciência proposta por Behe. Behe admite que a definição de ciência usada pelo resto da comunidade científica não permite chamar o design inteligente de ciência. Logo, ele criou sua própria definição de ciência, com mais "flexibilidade". Tanta flexibilidade que Behe admitiu que, de acordo com sua teoria, a astrologia seria considerada ciência. Pelo menos nesse ponto, de que a astrologia é tão científica quanto o design inteligente, concordamos com ele.

Mas até onde sabemos, Behe não recomenda que a astrologia seja também ensinada como ciência nas escolas públicas. Talvez porque os astrólogos não afirmam existir uma misteriosa entidade onipotente projetando os mapas astrais que vendem. Ainda bem.

ACLU
Mike Argento

Ponto para o Dalai Lama
Enquanto certos religiosos tentam distorcer a ciência para propagar seus dogmas de estimação, é agradável encontrar um líder religioso com a estatura do Dalai Lama expressando a seguinte opinião, no prólogo de seu novo livro "The Universe in a Single Atom":

"Minha confiança em me aventurar na ciência reside em minha crença básica de que na ciência, assim como no Budismo, o conhecimento sobre a natureza da realidade é buscado através da investigação crítica; se a análise científica demonstrasse de forma conclusiva a falsidade de uma alegação do Budismo, então teríamos que aceitar a conclusão da ciência e abandonar esta alegação."

Mas por mais que simpatize com a ciência, o Dalai Lama não é um cientista. E sua possível participação em um congresso de neurociência, mês que vem, nos EUA, está causando polêmica. A programação prevê uma palestra do líder espiritual sobre os efeitos da meditação budista no cérebro humano, um tema que, apesar de ter sido objeto de alguns estudos científicos, ainda é alvo de muita controvérsia. Alguns cientistas ameaçam boicotar o evento, enquanto outros apóiam sua participação, em função de sua colaboração com as pesquisas na área. Em um abaixo-assinado, alguns cientistas comparam a palestra do Dalai Lama com convidar o Papa para falar sobre a "relação entre o temor a Deus e a amídala [uma região do cérebro responsável pelo condicionamento do medo]" e alertam para o risco de se "borrar a fronteira entre a ciência e práticas religiosas". Já Carol Barnes, presidente da Society for Neuroscience, que organiza o encontro, diz que a palestra não abordará religião ou política.

Skeptic
The Guardian

Os mitos dos estereótipos culturais
Há uma piada que diz que o paraíso é um lugar onde a polícia é inglesa (lembre-se que essa piada é velha...), os cozinheiros são franceses, os mecânicos são alemães, os amantes são italianos e tudo é organizado pelos suíços, enquanto o inferno é um lugar onde a polícia é alemã, os cozinheiros são ingleses, os mecânicos franceses e os amantes suiços, sendo tudo organizado pelos italianos. Piadas como esta refletem as percepções que os povos têm de si mesmos, mas podem ser apenas um grande mito, segundo uma pesquisa recente.

Um grupo de pesquisadores chefiados por Antonio Terraciano e Robert McCrae investigou mais de 40.000 pessoas em 49 países comparando as personalidades "típicas" de seus países e as personalidades reais apontadas por um questionário. O resultado foi que não houve nenhuma correlação entre as opiniões que os povos tem de si mesmos ou que os outros povos têm deles, com as característisticas reais.

Na verdade, na maioria das vezes as pessoas tem uma visão excessivamente crítica e dura de suas culturas. "Os suíços acreditam que são um povo fechado a novas experiências, mas na verdade são a cultura mais aberta às novas idéias nas artes e na música", exemplifica Antonio Terraciano. O pesquisador acredita que os resultados de sua pesquisa deveriam fazer as pessoas pensar melhor sobre suas idéias pré-concebidas: " Isso pode ser a base para a discriminação", diz.

Se a pesquisa também puder ser aplicada aos pré-conceitos regionais dentro de um país, talvez devesse servir de alerta aos paulistas que pensam que os cariocas trabalham menos tempo do que passam na praia e aos cariocas que pensam que o paulistas só pensam em trabalho.

New Scientist

O menor carro do mundo
Cientistas da Universidade de Rice, no Texas, construíram o menor carro do mundo, usando partes de uma única molécula.

O veículo atômico possui nada mais que 4 nanômetros de comprimento. Isto quer dizer que se ele fosse um fusquinha, um fio de cabelo teria mais de 80 km de espessura. Na verdade, outros grupos de pesquisadores em nanotecnologia já produziram carros com estas dimensões, mas este é o primeiro que possui 4 rodas que rodam na direção perpendicular ao seu eixo.



"É bastante fácil construir objetos em nanoescala que deslizam sobre uma superfície", diz James Tour, um dos cientistas envolvidos no projeto. "Provar que eles estão rolando, e não deslizando ou escorregando, é que foi uma das partes mais difíceis do projeto".

Live Science

O alumínio agora é transparente
Se você é fã de Star Trek ou de computadores Macintosh, tem motivos para se lembrar da memorável cena de Star Trek IV em que Scotty, em pleno ano de 1986, segura o mouse de um Mac como se fosse um microfone, para pedir a fórmula molecular do alumínio invisível. E novamente aconteceu da ficção ser alcançada pela realidade.





Os militares americanos já testam um veículo equipado com blindagem de alumínio transparente. O material, conhecido por ALON (oxinitreto de alumínio) na verdade não é um metal, mas um cerâmico de alta resistência à compressão e foi desenvolvido em conjunto com a Universidade de Dayton em Ohio.

Nos testes, o material resistiu a tiros com calibre .50, utilizado para derrubar aviões. Seu único inconveniente por enquanto é o preço. Enquanto blindagens tradicionais custam em torno de $4 a polegada quadrada, o ALON sai por $10. Esta conta não leva em consideração a durabilidade do novo material, que é muito maior e por isso precisa ser reposto com menor freqüência. Boa notícia para a indústria de carros blindados brasileira, uma das maiores do mundo.



Live Science

Sonda é utilizada para investigar mistério das pirâmides
Nada a ver com alienígenas ou números mágicos nas dimensões das pirâmides. O verdadeiro mistério aqui é outro: o esconderijo de uma câmara mortuária no interior da pirâmide de Quéops. Para desvendá-lo, os arqueólogos estão usando técnicas que Indiana Jones nem sonharia: um robô escavador.

O robô, que levou dois anos para ser projetado e construído pela universidade de Cingapura, vai escavar uma passagem através de pesados painéis de pedra e dutos (que tanto podiam servir para ventilação como para escoamento das almas dos faraós), atrás dos quais acredita-se que possa estar escondida a tumba do faraó Khufu.

"Eu acredito que estas portas estão escondendo algo... pode ser, em teoria, que a tumba de Khufu ainda esteja escondida na pirâmide", diz o egiptologista Zahi Hawass, responsável pelo projeto.



MSNBC

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