Projeto Ockham
O Pensador Uma introdução ao pensamento crítico

por Alexandre Taschetto de Castro mail
em 22/06/02

O método

Fórum Enviar artigo

O pensamento crítico pode ser visto como sendo composto de duas atividades (Defining Critical Thinking):

a habilidade de processar e gerar informações e crenças e

o hábito, baseado em um compromisso intelectual, de usar esta habilidade para definir o comportamento.

A base do pensamento crítico é a lógica, sobre a qual existem inúmeras fontes de informação. Vamos portanto nos limitar a alguns conceitos básicos, suficientes à compreensão de como o pensamento crítico funciona:

Proposição: uma proposição é uma sentença que pode ser verdadeira ou falsa. Por exemplo, "os homens são mortais" é uma proposição verdadeira. A validade (ou falsidade) de uma proposição pode variar com o contexto. Por exemplo, "os homens vivem, em média, menos que as mulheres" é uma proposição que pode ser verdadeira ou não, de acordo com o local e época da qual estamos falando.

Argumento: um argumento é uma seqüência de proposições, que pode ser dividida em suas premissas e sua conclusão. As premissas constituem o ponto de partida, a base a partir da qual se chega à conclusão. Se a conclusão realmente é uma conseqüência lógica das premissas, o argumento é dito válido. Isto equivale a dizer que se as premissas são verdadeiras, a conclusão necessariamente também será verdadeira. Por outro lado, pode acontecer que a conclusão seja falsa, mesmo que as premissas sejam verdadeiras. Neste caso, o argumento é inválido, isto é, não existe uma relação lógica entre as premissas e a conclusão. Por exemplo, se alguém diz: "Tenho um saco com 15 bolas de gude, todas verdes. Se você tirar uma bola qualquer ela será verde.", isto é um argumento válido, já que se todas as bolas no interior do saco são realmente verdes (a premissa), isto garante que qualquer bola retirada será verde (a conclusão). Note que a validade do argumento é independente da veracidade ou não da premissa. A pessoa pode estar mentindo e ter colocado bolas azuis no interior do saco. Imaginemos por outro lado que a pessoa diga "Tenho um saco com 14 bolas verdes e 1 bola azul. Se você tirar uma bola qualquer ela será verde.". Neste caso, o argumento é inválido, porque mesmo que exista uma grande chance da bola retirada ser verde, isso não é garantido.

Portanto, duas análises devem ser feitas ao nos depararmos com uma alegação qualquer: se o argumento utilizado é válido e se as premissas do argumento são verdadeiras. Se isto for o caso, podemos realmente acreditar em sua conclusão, caso contrário nada pode ser concluído.

Na maioria das vezes, os argumentos que nos são oferecidos não são tão simples e óbvios. Em geral, as premissas não são colocadas de forma tão explícita (ou são deliberadamente escondidas de forma a dificultar a análise do argumento). Nestes casos, uma investigação um pouco mais cuidadosa é necessária. Por exemplo, imagine que um praticante de uma pseudociência diga que sua prática é válida porque foi comprovada cientificamente em "inúmeros" estudos. Isto é um argumento válido (se estudos científicos comprovaram sua eficácia, podemos concluir que a prática é válida). Mas onde foram publicados estes estudos, para que possamos confirmar que eles realmente foram realizados (de forma correta) e chegaram a esta conclusão? Este é um problema freqüentemente encontrado na análise das pseudociências.

"Baloney Detection"
Cadastre seu email para receber nosso boletim:
Pipoca com Ciência

Dragão da Garagem