Projeto Ockham
O Pensador Uma introdução ao pensamento crítico

por Alexandre Taschetto de Castro mail
em 22/06/02

"FiLCHeRS"

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Outra metodologia útil para a análise de alegações, baseada no pensamento crítico, foi apresentada pelo professor James Lett, que cunhou o termo " FiLCHeRS ("Falsifiability, Logic, Comprehensiveness, Honesty, Replicability and Sufficiency"). Desta forma, devemos aplicar as seguintes regras às evidências apresentadas como suporte a uma alegação:

Deve ser possível conceber evidências que provariam a falsidade da alegação - Pode parecer paradoxal, mas isto é uma garantia de que se a alegação é falsa, isto será provado pelas evidências. Caso contrário, a alegação pode ser aceita até que alguma evidência em contrário a invalide. Isto é fundamental para que se leve seriamente qualquer alegação, pois se é impossível provar sua falsidade, ela simplesmente não tem sentido. Por exemplo, se alguém diz que pode equilibrar sua "energia espiritual" através do uso de cristais, então deve ser apresentada uma forma independente e imparcial de determinar este suposto equilíbrio de energia de forma a sabermos se os cristais realmente foram eficazes ou não.

Qualquer argumento apresentado como evidência de uma alegação deve ser válido e baseado em premissas verdadeiras.

As evidências apresentadas como suporte a uma alegação devem ser completas, isto é, todas as evidências disponíveis devem ser consideradas - Obviamente, não é razoável considerar somente as evidências a favor de uma teoria e descartar as evidências em contrário.

As evidências devem ser avaliadas honestamente - Após o exame de todas as evidências, você deve ser honesto com seus resultados. Se as evidências indicam que uma alegação é falsa, isto deve ser aceito e a crença naquela alegação abandonada (e vice-versa). Esta regra é freqüentemente violada por parapsicólogos que, após inúmeros estudos que não tiveram sucesso em reproduzir resultados positivos, concluem então que o fenômeno é elusivo (algo conhecido também como "efeito timidez" - o fenômeno só acontece quando nenhum cético está olhando).

Se as evidências são baseadas em resultados experimentais, ou poderiam ser explicadas como simples coincidências, elas devem ser reproduzidas por outros estudos - Isto é uma garantia contra erros, fraudes e coincidências. Qualquer experimento, independente do cuidado com o qual é planejado e realizado, está sempre sujeito à possibilidade de erro ou parcialidade. A reprodução do experimento por pesquisadores independentes é uma forma eficaz de corrigir estes problemas, mesmo que não sejam identificados. Se os resultados são obtidos de forma fraudulenta, esta regra garante que eventualmente o experimento será realizado por pesquisadores honestos.

As evidências apresentadas devem ser adequadas à determinação da veracidade da alegação - Deve ser levado em conta que: (i) o ônus da prova cabe a quem apresenta a alegação; (ii) alegações extraordinárias demandam evidências extraordinárias; (iii) evidências baseadas em testemunhos ou "autoridades" são inadequadas como base para alegações paranormais. A questão do ônus da prova é importante por que a ausência de evidências contra a alegação não equivale à existência de evidências a seu favor (ou "a ausência de evidências não equivale à evidência da ausência"). Este erro é freqüentemente cometido por defensores do paranormal. Ufólogos, por exemplo, dizem que já que nem todas as aparições de OVNIs são explicadas pelos céticos, então algumas delas devem-se a naves extraterrestres. A necessidade de evidências proporcionais à alegação é óbvia. Se eu digo que choveu ontem, seria compreensível que você acreditasse nesta informação baseado somente na minha palavra. Se eu digo que fui abduzido por extraterrestres que me levaram para a Lua, onde realizaram experiências médicas em meu corpo, seria justificável pedir evidências mais substanciais. Por último, testemunhos não são aceitáveis pela simples razão de que as pessoas podem mentir ou cometer erros.

Conclusões
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