Projeto Ockham
Pesquisas médicas Entendendo as pesquisas médicas

por Alexandre Taschetto de Castro mail
em 10/08/04

Grupos de controle, "duplo-cego", etc

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Como mencionado anteriormente, os grupos de controle são fundamentais porque representam a base de comparação a partir da qual o medicamento é avaliado. Apesar de serem típicos de testes clínicos, eles também podem ser utilizados em certos estudos epidemiológicos.

Em primeiro lugar, fica óbvio que um teste clínico realizado sem um grupo de controle é de pouca valia. Mas nem todos os grupos de controle são iguais. Em primeiro lugar, o grupo de controle deve ser o mais semelhante possível ao grupo que está recebendo o medicamento (o grupo experimental). Ou seja, a única diferença significativa entre os dois grupos deveria ser a administração do medicamento para um deles. Caso contrário, é impossível concluir que o medicamento é a verdadeira causa de uma eventual diferença que venha a ser encontrada posteriormente. Determinar se uma diferença entre os dois grupos é significativa ou não nem sempre é fácil, mas, por exemplo, é óbvio que um estudo de um medicamento para uma doença do coração onde o grupo de controle tem uma idade média vinte anos mais alta que o grupo experimental provavelmente levará a um menor índice de mortalidade no grupo experimental, independente da eficácia do medicamento sendo testado.

Uma técnica normalmente utilizada, portanto, na escolha dos grupos experimental e de controle para um teste clínico é a randomização. Cada paciente participante do estudo é colocado aleatoriamente em um dos dois grupos, de forma que diferenças existentes entre os pacientes tendam a se distribuir igualmente pelos dois grupos. A falta de randomização em um teste clínico é considerada uma deficiência importante.

Outra técnica necessária para evitar o surgimento de tendências artificiais nos resultados é "cegar" as pessoas envolvidas no estudo. Isto significa que todos os procedimentos devem ser realizados sem que os pacientes (e na medida do possível, também os pesquisadores) saibam quem está recebendo o medicamento sob avaliação e quem está recebendo um placebo. Isto geralmente é feito através de uma codificação dos documentos (de forma semelhante ao que ocorre em um vestibular, por exemplo), acessível apenas a pessoas n ão envolvidas diretamente na execução do estudo. Em um estudo de um medicamento para pressão alta, por exemplo, uma enfermeira que tire a pressão de um paciente (que ela saiba que está recebendo o medicamento) terá uma tendência maior a repetir o procedimento ao encontrar um valor mais alto que o normal. Já um paciente que saiba que está recebendo um placebo pode mudar seus hábitos diários para tentar compensar a falta do medicamento (veja também aqui e aqui). Como normalmente pacientes e pesquisadores são "cegados", estudos deste tipo são normalmente chamados de estudos "duplo-cego".

Outro fator importante é que variável está sendo acompanhada no estudo. Na avaliação de um medicamento para pressão alta, por exemplo, serão registrados os valores da pressão arterial. Simples e confiável. Mas em muitos estudos são acompanhados fatores subjetivos como a dor, efeitos psicológicos ou efeitos sociais, mais difíceis de serem avaliados de forma confiável.

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