Projeto Ockham
O 11 de Setembro

por Widson Porto Reis mail
em 27/01/07

O World Trade Center

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O desabamento do WTC foi o pior desastre da história da engenharia, por isso foi também o mais extensivamente estudado. Durante 4 anos, o NIST (National Institute of Standards and Technology) buscou entender melhor a causa do acidente a fim de tornar as técnicas de construção mais seguras, de quebra, encerrando os mitos sobre o assunto. A equipe do NIST, constituída por mais de 200 especialistas, realizou cerca de 1000 entrevistas, examinou mais de 7000 vídeos e fotografias, testou os materiais do WTC em laboratório e simulou o desastre tanto em computador quanto fisicamente, em escala reduzida. O resultado foi um relatório de 43 volumes para conspiracionista nenhum botar defeito. O relatório é público e pode ser lido na íntegra no site do NIST.

Logo depois da queda das torres, algumas pessoas vieram a público e apressadamente afirmaram que o prédio caiu porque o aço das estruturas metálicas derreteu. Isso não é verdade. A temperatura provocada pelos 800 litros de combustível incandescente não seria suficiente para atingir o ponto de fusão do aço (que é de aproximadamente 1500 graus Celsius, enquanto estima-se que a temperatura no WTC chegou no máximo a 1000 graus Celsius). No entanto, não seria preciso chegar a tanto para provocar o colapso das torres. Todos os materiais metálicos tem sua resistência mecânica diminuída em altas temperaturas - o aço, por exemplo, retém menos de 10% de sua resistência nominal a 800 graus Celsius. Na verdade, exatamente prevendo a diminuição de resistência do aço no caso de um incêndio, os engenheiros revestem as estruturas metálicas dos prédios com um material isolante. É por isso que nem todo edifício em chamas desmorona como o WTC. Como apontam a seu favor os conspiracionistas, outros edifícios atingidos por incêndios arderam por muito mais tempo do que o WTC e não vieram abaixo. O problema é que nas torres gêmeas o revestimento que deveria proteger as estruturas foi completamente arrancado pelo choque do Boeing 767, deixando o aço exposto ao calor.


O gráfico mostra como a resistência do aço cai com a temperatura. A cerca de 800 graus Celsius ela é apenas 10% da resistência à temperatura ambiente.


Parte das estruturas metálicas removidas dos destroços do WTC. As vigas apresentam-se retorcidas, deformadas permanentemente por uma carga maior do que podiam suportar àquela temperatura. Mas não derretidas. Os testemunhos de que pedaços de aço derretido foram encontrados nos escombros provavelmente confundiram aço com alumínio.

Concluindo: as estruturas metálicas sucumbiram quando, seriamente avariadas pelo choque do Boeing e com sua resistência diminuída pelo calor, deixaram de suportar a carga para a qual foram projetadas. Grosso modo, as colunas centrais do WTC eram conectadas às colunas periféricas através de um conjunto de treliças. O NIST concluiu que, ao falhar, estas colunas centrais curvaram-se para o centro puxando consigo as colunas laterais, iniciando um efeito em cascata que fez com que o WTC desmoronasse sobre si mesmo. Já o motivo pelo qual a destruição se espalhou tão rapidamente, segundo o estudo do NIST, é que os destroços do avião atravessaram vários andares criando um fosso por onde o combustível espalhou-se rapidamente. Adicionalmente, o incêndio atingiu os poços dos elevadores fazendo com que alguns deles caíssem, provocando o dano visto no saguão de entrada pelos bombeiros (fonte).

Contudo, os conspiracionistas não aceitam tão facilmente esta explicação: para eles havia explosivos instalados nas torres, que foram detonados depois que os aviões as atingiram. Outros vão mais além e, assumindo uma inusitada expertise em demolições, dizem que os danos causados pelo impacto dos aviões foram tão grandes e se espalharam por andares tão distantes do ponto de impacto, que só poderiam ter sido causados por explosivos detonados ao mesmo tempo que a colisão dos aviões, talvez disparados dos próprios aviões!

Imagine uma teoria da conspiração ao contrário, em que o governo alegasse ter demolido com explosivos as torres gêmeas, enquanto alguns desconfiados conspiracionistas tentassem demonstrar o oposto. Neste caso a tarefa dos conpiracionistas seria muito mais fácil. Numa demolição controlada os explosivos são colocados de maneira a destruir ao mesmo tempo as principais estruturas da construção. Assim que o desabamento tem início, o prédio vem ao chão de uma só vez, praticamente em queda livre. Definitivamente não é isso o que se vê nas filmagens do colapso do WTC. Em ambas as torres percebe-se claramente que o colapso começa no ponto em que os prédios foram atingidos pelo avião; abaixo deste ponto o prédio somente começa a ruir quando alcançado pelas partes superiores. Além disso a Torre Sul, a segunda a ser atingida mas a primeira a cair, não desabou verticalmente como se esperaria de uma demolição controlada. Enquanto a Torre Norte foi atingida no centro pelo Boeing, a Torre Sul foi atingida obliqüamente. Isso fez com que as colunas periféricas, no canto da Torre, fossem, em número e intensidade, mais atingidas do que as colunas centrais da Torre Norte (fonte: Skeptic, Vol 12, num 4, 2006, pp 38). Isso não só explica porque esta torre veio abaixo primeiro, como por que sua parte superior desabou lateralmente, como um castelo de cartas do qual se retira uma carta de um dos cantos. Para que todos estes fatos fossem consistentes com uma demolição controlada como querem os conspiracionistas, seria preciso que os pilotos atingissem as torres nos andares em que os explosivos estivessem instalados e ainda por cima no ângulo que corroborasse sua queda posterior! Se isso já não fosse complicado o bastante, imagine preparar dois arranha-céus densamente populados instalando fios, explosivos e detonadores sem que nenhum dos milhares de funcionários suspeitasse...


A Torre Norte foi atingida perpendicularmente próximo ao centro. As colunas danificadas estão indicadas pelos círculos hachurados


Já a Torre Sul foi atingida obliquamente, com a consequente destruição das colunas de todo um canto do prédio. Além disso a Torre Sul foi atingida mais embaixo do que a Torre Norte fazendo com que as vigas danificadas tivessem que suportar um peso maior. Isto expica porque esta torre caiu primeiro. (fonte: Skeptic, Vol 12, num 4, 2006, pp 38)


A Torre Sul não desabou verticalmente como seria de se esperar de uma demolição controlada. Em vez disso a parte superior cai primeiramente sobre um dos cantos, sua parte mais atingida pelo Boeing

Muitos dizem que o WTC não poderia ter vindo abaixo pois tinha sido projetado para resistir ao impacto de um Boeing 707, o maior avião existente na época de sua construção. Realmente a documentação do projeto do WTC indica que na fase de especificação a hipótese de um impacto com um Boeing 707 (que é 20% menor que o 767) foi considerada. A preocupação era relevante: em 1945 o Empire State foi atingido por um B-25 (um pequeno bombardeiro). Quatorze pessoas morreram no acidente, mas o B-25, que era não apenas muito mais leve do que um Boeing, como ainda voava a uma velocidade muito menor, causou apenas danos locais e um incêndio que foi controlado em apenas 40 minutos. No entanto, o NIST não encontrou nenhuma indicação de qual foi a metodologia utilizada na análise estrutural do World Trade Center e nem se ela poderia ter sido efetiva. Além disso, não existe nenhuma evidência documentada de que os projetistas levaram em conta o efeito combinado da queima do combustível e o arrancamento do revestimento isolante das estruturas metálicas devido ao choque.


Comparação da envergadura de um B-25 e um Boeing 767, sobre a área de um arranha-céu típico.

E quanto aos abalos sísmicos?
A maioria dos conspiracionistas usa como prova indisputável de que o World Trade Center foi posto abaixo com explosivos os dados dos sismógrafos do Earth Observatory, localizado na Universidade de Columbia. Localizado a poucos quilômetros do World Trade Center, o Earth Observatory foi capaz de registrar o momento do impacto com as torres e o instante em que elas vieram abaixo. Segundo os conspiracionistas, estes dados não deixam dúvidas de que uma grande atividade sísmica ocorreu no momento em que cada uma das torres começou a desabar, o que seria consistente com a detonação de uma bomba. O gráfico que usam para apresentar sua argumentação é o seguinte:


O gráfico apresenta a atividade sísmica sobre um largo período de tempo: de 8:40 (12:40, hora global) às 19:40 (15:40 hora global). Cada linha tem 30 minutos de duração. Estão assinalados os impactos dos aviões e as quedas das torres.

Realmente os picos no início de cada sequência parecem demonstrar que houve um enorme abalo inicial, mas isso é somente por causa da estreita escala. Outro gráfico mais detalhado, um zoom da mesma região, permite ver uma história completamente diferente:


Neste gráfico são mostrados em zoom apenas os eventos do gráfico anterior numa escala muito mais aberta. Note-se que são consistentes com um evento contínuo no tempo, sem nenhum pico inicial. Os dados individuais podem ser obtidos aqui.

Em todo o caso, é melhor ouvir isso dos profissionais: "Não há nenhuma base científica para a conclusão de que explosivos trouxeram abaixo as torres", diz Arthur Lerner-Lam, um dos sismologistas do Earth Observatory, "Esta interpretação do nosso trabalho é categoricamente incorreta e fora de contexto".

Esta alegação demonstra um padrão na argumentação dos conspiracionistas: a interpretação seletiva dos fatos, que chega às raias da desonestidade. Ao público mostram apenas os dados que parecem se ajustar às suas teorias; os demais, fingem que não existem.

Por que o WTC 7 também desabou se ele não foi atingido por um avião?
Sete horas depois da segunda Torre Gêmea desabar, o WTC 7, de apenas 47 andares, também veio abaixo. Os conspiracionistas alegam que o prédio tinha sofrido poucos danos e por isso só poderia ter desmoronado da maneira que se viu se tivesse sido derrubado com explosivos. Desta vez apoiam-se em um estudo preliminar liberado pelo FEMA (Federal Emergency Management Agency) em 2002, que apontava que o WTC 7 tinha sido pouco afetado pela queda das duas outras torres. O NIST, que estudou cuidadosamente a queda das Torres Gêmeas, ainda não concluiu (até o momento da edição deste artigo) o estudo do WTC 7, uma vez que este teve início bem depois. No entanto, até onde já se sabe, o pequeno prédio foi muito mais atingido pelos destroços das torres Norte e Sul do que se supunha na época do estudo da FEMA. O NIST trabalha com a hipótese de que os primeiros andares do prédio foram profundamente afetados pelos destroços e também por um incêndio alimentado por várias horas por um tanque de óleo diesel (usado no gerador do prédio), que se alastrou livremente sem ser combatido pelos bombeiros. A combinação do fogo com a fratura causada pelos destroços comprometeu uma das colunas principais do lado oeste, que sustentava uma área de 180 metros quadrados de uma das coberturas. Quando este lado do prédio ruiu levou consigo a estrutura inteira.

Esta hipótese é inteiramente consistente com os danos observados nas estruturas do WTC7 no lado em que foram atingidas pelos destroços das torres principais. Nestas condições, se o WTC7 tivesse sido deliberadamente demolido com explosivos, o responsável precisaria prever exatamente o ponto em que os erráticos destroços das Torres Norte e Sul atingiram o prédio.

O Vôo 93
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