Projeto Ockham
Eter O éter luminífero

por Kentaro Mori mail
em 14/09/03, publicado na revista Newton (Ano 1, No. 2), jan/2004

Dos gregos antigos ao Renascimento

Fórum Enviar artigo

Segundo a mitologia grega, do Caos inicial nasceram Nix e Érebo. Deles vieram Hemera e Éter - a luminosidade pura próxima da abóbada celeste. O Éter era o "ar superior", a personificação do céu mais distante.

Estes conceitos seriam integrados na cosmologia de Aristóteles, por volta do século IV AC. Para o pensador grego, o Universo constituía uma grande esfera - porque esta era a forma mais perfeita. Aristóteles também aceitou a visão comum na época dos quatro elementos básicos (terra, água, ar e fogo), mas adicionou a eles o éter: a quinta essência, um elemento divino presente em todo o espaço acima da Lua, do qual as estrelas seriam constituídas.


(Imagem de The New Epistemology)

O conceito de éter de Aristóteles tinha uma razão de ser importante: ele acreditava que a Natureza abominava o vácuo, o nada. Como o nada poderia existir, e se existisse, como seria nada? Se à volta de nosso mundo havia o ar material que respiramos, mais acima e até chegar à abóbada celeste também deveria haver algo permeando o espaço. E seria o éter.

A idéia de algum tipo de matéria preenchendo o espaço vazio, evitando que fosse um nada completo, parecia muito racional. Embora nem sempre fosse reconhecida como o éter de Aristóteles, foi sugerida diversas vezes.

Em 1644, já no Renascimento, o filósofo francês René Descartes falou do éter, e de forma particularmente interessante: o movimento de rotação do Sol criaria redemoinhos (turbilhões, vórtices) e isso explicaria o movimento dos planetas, arrastando-os como uma batedeira. O éter também seria o meio pelo qual a luz se propagava como uma pressão, atravessando-o pelo espaço do Sol até os nossos olhos.

Quando Descartes expôs sua explicação para o movimento dos planetas e a propagação da luz pelo espaço, um certo inglês chamado Isaac Newton tinha apenas um ano de idade. Alguns anos depois este inglês acabaria por se tornar uma das maiores figuras da história da ciência, ao explicar os movimentos dos planetas através da lei da gravidade e descrever leis naturais governando o movimento de corpos, inclusive aqui na Terra.

Entre suas diversas outras atividades, que incluíam o interesse pela alquimia, Newton também adotou diferentes posições a respeito do éter e da natureza da luz ao longo de sua vida. Inicialmente sugerindo que a luz era tanto composta de partículas como de vibrações no éter, posteriormente defendeu a natureza puramente corpuscular da luz. E embora suas leis do movimento e da gravidade mostrassem que não poderia haver muita matéria no espaço entre o Sol e os planetas - do contrário, ela ofereceria resistência considerável ao movimento - ele também não vislumbrava a gravidade, uma força, atuando através do completo vácuo. Devia haver algum meio para a ação, e o éter de Newton se tornava agora o meio e o palco para todos os eventos do Universo.

A natureza da luz e seus problemas
Cadastre seu email para receber nosso boletim:
Pipoca com Ciência

Dragão da Garagem