Projeto Ockham
Eter O éter luminífero

por Kentaro Mori mail
em 14/09/03, publicado na revista Newton (Ano 1, No. 2), jan/2004

O fim?

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Da quintessência divina no espaço exterior ao palco absoluto para os acontecimentos do mundo, o éter figurou como uma presença natural e lógica para a compreensão racional do Universo. Com o desenvolvimento da física, sua existência foi ficando cada vez mais necessária como base das descobertas e teorias científicas, apesar de nunca ter sido detectado. Cientistas dedicaram vidas inteiras tentando detectar e explicar plenamente o éter luminífero e suas estranhas propriedades. Até que este círculo de usar o éter para explicar a luz e a luz para definir o que era o éter foi desfeito: a luz existia sem o éter.

Carl Sagan notou que a capacidade central e extraordinária da ciência é seu mecanismo de detecção e reconhecimento de erros. Como a citação do respeitado Lorde Kelvin no início destas páginas indica, há pouco mais de um século a existência do éter luminífero era algo mais do que suficientemente estabelecido para grande parte dos cientistas. Antes de se congratular com os erros cometidos por cientistas do passado, pseudocientistas e mesmo alguns religiosos deveriam se perguntar onde mais, se não na verdadeira ciência, mudanças de conceitos e teorias tão radicais realmente ocorrem tendo por árbitro último apenas a evidência disponível e acessível na natureza.

Michelson recebeu o prêmio Nobel de física por seus experimentos, que com a Relatividade de Einstein demonstravam a inexistência do éter luminífero. O experimento para detecção do vento de éter permanece até hoje como um dos mais importantes experimentos que não deram certo. Quanto a Einstein, desenvolveria anos depois sua teoria da Relatividade Geral. Nela, explicando a gravidade como uma deformação do espaço-tempo, acabava de certa forma ressuscitando a idéia de um éter.

Mas o éter não foi um dos maiores erros da ciência? O éter luminífero sim. Mas se o espaço-tempo pode ser deformado, é porque é alguma coisa, que podemos entender como um tipo de éter, mas sem qualquer propriedade mecânica. Ou talvez você já tenha ouvido esta história: éter para explicar gravidade, gravidade para definir éter...

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