Projeto Ockham

Adam and Eve Did Adam and Eve Have Navels?: Discourses on Reflexology, Numerology, Urine Therapy, and Other Dubious Subjects (Martin Gardner)
Martin Gardner é jornalista científico com interesses variados que passam pela ficção, matemática, filosofia e religião. De 1956 a 1986 foi colaborador regular da revista Scientific American e se tornou popular escrevendo a seção "Jogos Matemáticos". Matemática sempre foi seu interesse principal mas em 1976 graças a seu livro sobre pseudociências "In The Name of Science" foi convidado a participar do grupo de fundação do CSICOP (Comitee For The Scientifc Investigaion Of Claims Of The Paranormal) onde permanece como membro do conselho executivo. Um dos orgãos de divulgação do CSICOP é a revista bimestral Skeptical Inquirer para a qual Gardner escreveu por vários anos a coluna "Notes of a Fringe Watcher". O livro "Did Adam e Eve Have Navels" é uma coletânea destes artigos.
Para alguém que se propõe a desmascarar cientificamente um rol tão interessante de misticismos e pseudociências, como a urinoterapia, a cientologia e a seita "Portão do Céu", o livro de Gardner é desapontador. Tome-se o capítulo sobre Reflexologia por exemplo. Ao longo de sete páginas Gardner descreve no que se baseia esta pseudomedicina que diz curar exercendo pressão em determinados pontos chaves dos pés do pacente. Mas por mais que se leia uma série de declarações a princípio absurdas chega-se ao final do texto sem que nenhum dado científico concreto seja verdadeiramente enunciado, sem que nenhum estudo sério que comprove que a reflexologia seja uma balela seja citado e portanto sem que a reflexologia seja realmente desmascarada. Gardner parece esperar todo o tempo que o rídiculo das afirmações feitas pelas pseudociências seja auto evidente, o que evidentemente não é o que se espera de um investigador sério.
Este livro servirá muito bem aos céticos de carteirinha que já não precisam de fatos novos para alimentar seu ceticismo e que já possuem na maioria das vezes mais elementos para duvidar das pseudociências do que os que Gardner arrola. No mínimo, o livro será usado como uma coletânea de afirmações nonsense a serem lidas como piadas numa roda de amigos céticos. Para os demais, como o leigo inclinado ao misticismo e às terapias alternativas ou o leigo inclinado à dúvida (que consistiriam no público alvo mais interessante), ele deixará apenas a impressão que os céticos são por vezes tão evasivos e fundamentalistas como os próprios pseudocientistas que criticam.
Disponível em português, com o título "O Umbigo de Adão", pela Ediouro.
Widson Porto Reis

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