Projeto Ockham
Triângulo das Bermudas O Triângulo das Bermudas

por Widson Porto Reis mail
em 27/01/07

As Teorias

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Do trivial ao estapafúrdio, diversas teorias já foram levantadas para explicar o mistério do Triângulo das Bermudas. Aqui vão algumas das mais recorrentes.

Atlântida
A crença em uma civilização ancestral avançada técnica e espiritualmente, destruída por um cataclisma de proporções bíblicas, povoa a imaginação dos escritores desde o tempo de Platão. O clarividente americano Edgar Cayce (1877 - 1945) tornou-se famoso ao prever que os restos da cidade da Atlântida seriam encontrados nas Bahamas. Em 1968, uma formação rochosa conhecida por Estrada de Bimini foi realmente descoberta na área das Bahamas, fazendo parecer que a previsão de Cayce havia se realizado. Há quem diga que a Estrada de Bimini seja apenas uma curiosa formação natural e há quem diga que são realmente as ruínas de uma civilização antiga, mas não há nenhuma evidência que as relacione a um lendário continente perdido.

Cayce postulava que os Atlantes obtinham sua energia a partir das emanações de um tipo de cristal (Cayce também dizia que Jesus teria sido um Atlante reencarnado). Alguns acreditam que a energia latente desses cristais, hoje perdidos no fundo do oceano, poderia interferir nos instrumentos de navios e aviões ou simplesmente destruir de vez qualquer veículo em sua proximidade. Considerando o intenso tráfego de navios e aviões apinhados de equipamentos eletrônicos na região do Triângulo das Bermudas, seria de se esperar que um material capaz de provocar distúrbios eletromagnéticos já tivesse sido encontrado.

Nuvens Magnéticas
No dia 4 de dezembro de 1970, Bruce Gernon voava com seu pai em uma avião bimotor sobre o Triângulo das Bermudas quando percebeu uma nuvem de formato peculiar sobre a costa de Miami. Ao se aproximar, a nuvem formou uma espécie de tubo em torno do avião, parecendo acompanhá-lo ao mesmo tempo que girava sobre si mesma. Os instrumentos de navegação ficaram imprestáveis e o avião sumiu por vários minutos do radar do controle de tráfego aéreo mais próximo. Alguns minutos depois, quando o avião finalmente emergiu da nuvem e reapareceu nos radares, Gernom descobriu que já se encontrava sobre a cidade de Miami, algo que teria sido impossível de acordo com o tempo decorrido em seu relógio. Gernom encontrou um monte de gente disposta a acreditar na sua história e escreveu um livro sobre o fenômeno: "The Fog: A Never Before Published Theory of the Bermuda Triangle Phenomenon", em que supunha que os desaparecimentos no Triângulo das Bermudas eram causados por nuvens magnéticas como a que engoliu seu avião. O maior problema da exótica hipótese de Germon é que ela se baseia no testemunho e na experiência vivida por uma única pessoa, sem nenhuma outra confirmação experimental até o momento.


Representação artística do efeito presenciado por Gernom

Depósitos de metano
Uma das teorias naturais construídas para explicar os desaparecimentos no Triângulo das Bermudas é conhecida por Teoria da Flatulência Oceânica (vulgarmente é claro).

Segundo esta teoria, sob o leito do oceano jazem grandes quantidades de gás metano aprisionado nos poros rochosos. Deslizamentos submarinos seriam capazes de libertar subitamente vastas quantidades deste gás que subiriam à superfície na forma de bolhas. Este gás borbulhante reduziria a densidade da água e faria um navio que estivesse posicionado acima dele afundar como uma pedra, como se um buraco se abrisse no oceano sob ele. Como o metano é mais leve que o ar, ele continuaria a subir ao atingir a superfície da água podendo afetar tanto a sustentação aerodinâmica de um avião quanto a indicação de seu altímetro (fonte) O metano poderia ainda causar uma pane no motor do avião, uma vez que esse precisa de oxigênio para que a combustão se realize (fonte). Algumas pessoas decidiram aplicar esta teoria ao mistério do Triângulo das Bermudas depois que, em 1981, uma plataforma na costa da Guatemala foi vitima do fenômeno (muto embora a plataforma não tenha afundado). Um documentário da BBC mostrou que uma profusão de bolhas poderia realmente afundar um pequeno barco ancorado, mas a experiência teve tantas limitações que seria difícil aplicá-la ao caso típico de um navio trafegando no Triângulo das Bermudas. Os pesquisadores sobrenaturais argumentam que diferentemente de uma plataforma ancorada, um navio poderia se mover para fora de um certeiro jorro de metano ou ao menos teria tempo de enviar um pedido de socorro.


Fonte: Documentário da BBC: "In Search Of Bermuda Triangle"

Anomalias magnéticas
O ponteiro de uma bússola sempre aponta para um dos pólos magnéticos da Terra, distante cerca de 2500 quilômetros do pólo norte geográfico, que é o ponto mais ao norte da Terra. A diferença entre a direção do pólo norte magnético e do pólo norte geográfico depende de onde se está no globo terrestre e é conhecido por declinação magnética. Costuma-se dizer que só há dois lugares na Terra em que o norte geográfico coincide com o norte magnético e que o Triângulo das Bermudas é justamente um desses locais.

De acordo com algumas pessoas, ao negligenciar esta bizarra anomalia magnética, pilotos e marinheiros que atravessam a região poderiam acabar perdidos. Mais do que isso, o fenômeno é geralmente citado como uma estranheza a mais no currículo do Triângulo das Bermudas; como um indício de há algo fora da ordem no local.

Os pontos em que os pólos magnético e geográfico coincidem, ou seja a declinação magnética é zero, estão sobre uma linha chamada de linha agônica (esta linha é simplesmente a linha que une os dois pólos; uma vez sobre ela a bússola que aponta para um dos pólos apontará também para o outro). A linha agônica é o melhor lugar para se estar se você é um marinheiro de primeira viagem que não sabe compensar a declinação magnética. Se a linha agônica atravessasse de fato o Triângulo das Bermudas, este seria provavelmente o último lugar da Terra em que um navegador distraído se perderia... Por isso é tão estranho que essa explicação tenha sido popularizada pela Guarda Costeira americana no FAQ que mantém há mais de 30 anos sobre o Triângulo das Bermudas.

Mas a linha agônica não cruza o Triângulo das Bermudas embora já o tenha feito no passado. Uma vez que o pólo norte magnético se move com o tempo, também a linha agônica muda de posição, aproximadamente 0,2 graus por ano na média. O mapa abaixo mostra a posição da linha agônica no ano de 2004. Repare que, atualmente, a linha agônica atravessa o Golfo do México.

Ondas gigantes
Navios que são engolidos pelo mar sem deixar vestígios não são exclusividade do Triângulo das Bermudas. Muito pelo contrário: pelo menos um navio desaparece por mês no mundo, muitos tão completamente quanto os do Triângulo do Diabo. Para eles existem outras explicações que bem poderiam também ser aplicadas à região das Bermudas. Uma dela é a teoria das ondas gigantes ou ondas anormais (do inglês "freak waves").

Durante muito tempo se imaginou que as ondas gigantes, de 30 metros ou mais, fossem um mito do mar. No entanto recentemente ondas de mais de 28 metros foram observadas na costa da África do Sul e há evidências de que o cargueiro alemão München tenha sido varrido do oceano por uma dessas ondas gigantes, episódio que serviu de inspiração para a nova versão do filme "Poseidon".

O clima
A causa mais plausível para os desaparecimentos no Triângulo das Bermudas é bem menos estranha do que você pensa: o imprevisível clima da região. A região das Bermudas é conhecida por suas tempestades repentinas, que vem tão rapidamente quanto vão; às vezes tão rapidamente que não deixam tempo para que um alerta seja emitido. Trombas d'água também são comuns na região e podem afundar de forma fulminante um navio ou um avião apanhados em seu caminho. A natureza também pode explicar porque freqüentemente as equipes de salvamento não encontram vestígios dos aviões e navios vitimados nas Bermudas. Para início de conversa é muito difícil, mesmo durante o dia e com tempo bom, enxergar algo no mar a partir de um helicóptero, mesmo quando se sabe onde procurar, como já demonstrou o ótimo documentário da BBC "In Search Of Bermuda Triangle".

Ainda mais difícil do que procurar por vestígios em um local pré-determinado é procurar por sobreviventes quando não se sabe ao certo onde ocorreu o acidente. A situação piora quando a busca não é feita imediatamente após o acidente, por exemplo, quando o desparecimento é notado no final da tarde, uma vez que a corrente do Golfo, que se move com uma velocidade de até 8 km/h, espalha os destroços rapidamente. Some a este cenário o fato de que alguns dos locais mais profundos da Terra localizam-se no Oceano Atlântico na região das Bermudas e você terá boas razões para que os desaparecimentos no Triângulo das Bermudas sejam tão completos.

Mas apesar de tudo o que vimos será que há algum fenômeno, ordinário ou extraordinário, no Triângulo das Bermudas que justifique a reputação da região?

Desconstruindo o Mistério
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