Projeto Ockham
Rapa Nui A ilha da Páscoa

por Widson Porto Reis mail
em 15/07/02

Os mistérios (II) - os moai

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MoaiO caos que reinou após o esgotamento de seus recursos naturais não foi a única tragédia pela qual passou o povo de Rapa Nui. No século XIX, sucessivos saques dos espanhóis levaram como escravos quase todos os sobreviventes da ilha para trabalhar em minas de guano (um tipo de fertilizante). É natural portanto que não tenham restado registros orais de como os moai foram construídos. O pouco do folclore que resistiu conta que alguns sacerdotes como o rei Tuu Ku Ihu e seu deus Make Make podiam dar vida às estátuas usando mágica, ou mana. Animadas por esta energia divina as estátuas criavam vida e simplesmente andavam até o seu local. Os atuais moradores da Ilha da Páscoa compreensivelmente acreditam nestas lendas contadas por seus antepassados. O prefeito da ilha (em abril de 1998) dá voz ao pensamento geral: "Quando se vive em um lugar isolado do mundo por gerações e gerações tem-se mais tempo para levar sua mente a um máximo. É possível que naquele tempo existisse o fenômeno chamado mana. Nós, como seres humanos, não usamos nem um quarto de nossos cérebros. Eles aperfeiçoaram isso porque eram capazes de se concentrar mais do que somos capazes hoje". Não se pede que o povo simples de Rapa Nui abandone suas tradições já tão maltratadas, mas é uma pena ver como estas histórias perdem sua beleza e poesia quando se tenta justificá-las por falácias como o tal mito de que usamos apenas parte do nosso cérebro.

Mesmo longe do isolamento cultural da Ilha da Páscoa pode-se encontrar pessoas que creêm em estátuas de pedra que criam vida (o que nos parece um pouco mais grave). Há alguns livros, felizmente não muitos, que ensinam como usar a energia das pedras, lápitus, ou energia akásica, e "como ouvir o que nos têm para contar as pedras".

Quando as pedras voavam O livro "Quando as pedras voavam" (São Paulo: Mandala Livreiros, Editores e Importadores - 1977) do espanhol José Ramon Molinero (Supremo Grão Mestre da Ordem do Limão Branco) ensina estes e outros segredos, como por exemplo o que são os petrus: "seres elementais, guardiães de segredos que, vivendo dentro das pedras, confundindo-se com elas, movendo-as, dão-lhes a condição de objetos mágicos." Para obter diretamente a explicação de como esta energia pétrea foi usada para movimentar os gigantes da Ilha da Páscoa pode-se ler o outro livro do Prof. Molinero: O Mistério das Estátuas Tombadas". Mas houve tentativas de explicações ainda mais bizarras: O psicólogo Werner Wolff chegou a propor em seu livro "Island of Death" (Hacker Art Books, N.Y., 1948), que as estátuas teriam sido confeccionadas no interior do vulcão existente na ilha, aonde permaneceram até serem lançadas ao ar por uma erupção, caindo exatamente sob os pedestais onde jazem hoje (!). Para dizer o mínimo sob esta teoria, o vulcão de Rapa Nui já estava extinto muitos milhares de anos antes da data atribuída às estátuas.

Considerando-se as alternativas até aqui podemos considerar um avanço as teorias do conhecido escritor Erich Von Däniken. Däniken já vendeu mais de 40 milhões de cópias do seu livro de 1968 "Eram os Deuses Astronautas?" e desinformou pelo menos 40 milhões de pessoas com sua tese de que grandes obras de antigas civilizações, incluindo a pirâmide de Queops e os moai da Ilha da Páscoa, teriam sido construídas com a OVNIs e moai supervisão técnica de extraterrestres. Não cabe a este artigo discutir esta teoria dos deuses-astronautas, mas pelo menos no que diz respeito a Ilha da Páscoa, Däniken cometeu vários erros capitais: em seu livro "The Gold of Gods" ele diz que a ilha é composta de solo vulcânico estéril, sem vegetação nem árvores, e que as estátuas foram cortadas "como manteiga" à partir de pedras que não são encontradas na ilha. Claramente o sr. Däniken nunca pisou na Ilha da Páscoa antes de escrever seu livro senão teria constatado facilmente que nada disso é verdade: o solo da ilha é excelente para plantio, sabe-se mesmo que em tempos remotos havia abundante vegetação sobre a ilha; as pedras utilizadas na construção dos moai são sim, encontradas no vulcão da ilha, tanto é assim que no local de onde eram retiradas podem ser vistas centenas de estátuas inacabadas; e já foi provado que este material vulcânico é macio o bastante para ser trabalhado mesmo com ferramentas rudimentares. Com tantas inverdades impressas em milhões de livros Däniken é o grande responsável por propagar o "mistério" da Iha da Páscoa, mas não é o único. Celeste Korsholm (Jananda@sedona.net) que diz receber mensagens telepáticas do Conselho Interplanetário, segundo ela um conselho formado por representantes de cada um dos planetas do sistema solar (mais um representante para o cinturão de asteróides), também acredita que boa parte da mitologia das civilizações antigas, incluindo a dos habitantes da Ilha da Páscoa, são na verdade histórias de contatos imediatos com seres de outros planetas que têm nos visitado nos últimos 40000 anos.

Movendo os moai
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