Projeto Ockham
Roswell Roswell

por Alexandre Taschetto de Castro mail
em 23/01/04

A versão oficial

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Na década de 90, a Força Aérea americana realizou, a pedido do General Accounting Office (um órgão de auditoria do governo americano), uma investigação sobre o incidente de Roswell. As conclusões foram publicadas em dois relatórios que podem ser encontrados aqui. O primeiro relatório se concentra na origem dos destroços encontrados enquanto o segundo aborda os relatos de corpos de alienígenas.

Em relação aos destroços, a conclusão apresentada é que eles eram restos de um balão do chamado Projeto Mogul. O Projeto Mogul era um projeto secreto destinado a determinar em que situação estava o projeto soviético de armas nucleares (o primeiro teste nuclear soviético só aconteceria em 1949). A idéia era desenvolver um sistema que conseguisse detectar, à distância, um teste nuclear em território soviético (cujas fronteiras estavam fechadas). Para isso, detectores acústicos de baixa freqüência eram colocados em balões lançados a altas altitudes. Outros pesquisadores também chegaram, de forma independente, à relação entre Roswell e o Projeto Mogul - Robert Todd e Karl Pflock (autor de "Roswell: Inconvenient Facts and the Will to Believe").

Trem de		balões do Projeto Mogul Os pesquisadores do Projeto Mogul ainda vivos por ocasião da investigação foram entrevistados, em especial o professor Charles B. Moore, que era o engenheiro-chefe do projeto. Inicialmente baseados na Universidade de Nova Iorque, os pesquisadores se mudaram para a base de Alamogordo, Novo México, de onde os balões eram lançados. Na verdade, o equipamento era carregado por um "trem" de balões - vários balões (inicialmente de neopreno e mais tarde de polietileno) conectados entre si. Também pendurado ao trem de balões ia um alvo de radar - uma estrutura multifacetada de compensado recoberto com papel alumínio - utilizada para rastrear os balões após o lançamento.

A partir dos registros ainda disponíveis sobre o projeto, concluiu-se que os destroços encontrados em Roswell seriam provavelmente do "vôo" número quatro, lançado em 4 de junho de 1947.

O segundo relatório da Força Aérea americana se concentra no problema dos corpos de alienígenas. Ao longo dos anos, várias testemunhas se apresentaram com relatos envolvendo corpos encontrados nos destroços, sendo transportados pelo Exército, sofrendo autópsias, etc. Mesmo entre os pesquisadores que defendem a teoria alienígena existem controvérsias sobre quais destas testemunhas são confiáveis, mas, de qualquer forma, a confirmação da existência de corpos de alienígenas tornaria supérfluo o debate sobre a natureza dos destroços.

As conclusões do relatório são:

Diversas atividades da Força Aérea, ocorridas ao longo de vários anos, foram misturadas pelas testemunhas, que as lembraram como tendo ocorrido em alguns poucos dias de 1947;

Os alienígenas "observados" no Novo México eram provavelmente bonecos de testes carregados por balões de pesquisa em alta altitude;

As atividades militares suspeitas observadas na área eram na verdade as operações de lançamento e recuperação dos balões e dos bonecos de testes;

Relatos envolvendo corpos de alienígenas no hospital da base de Roswell provavelmente se originaram da combinação de dois acidentes, cujos feridos foram transportados para Roswell: a queda de um avião KC-97 em 1956, onde 11 militares morreram e um incidente com um balão tripulado em 1959, onde dois pilotos ficaram feridos.

Boneco de testes Atualmente, bonecos de testes são amplamente conhecidos pelo público em geral (principalmente por causa de seu uso em testes de segurança de automóveis), mas na década de 50 eles eram desconhecidos fora dos círculos da pesquisa científica. Mas na década de 20, a Força Aérea americana já lançava esses bonecos de aviões como forma de testar modelos de pára-quedas. Na década de 40, eles foram usados para testar assentos de ejeção para caças (que haviam sido inventados pelos alemães). E na década de 50, eles estavam sendo lançados de balões a alta altitude como parte do desenvolvimento de cápsulas de escape para os futuros veículos espaciais.

Entre junho de 1954 e fevereiro de 1959, 67 bonecos foram lançados de balões na região do Novo México, sendo que a maioria caiu fora dos limites das bases militares. Em seqüência aos testes com bonecos, o capitão Joseph W. Kittinger, Jr. realizou, em 1960, o mais alto salto de pára-quedas da história, de um balão a 102.600 pés de altitude (aproximadamente 31.000 metros).

Boneco em saco preto Os bonecos eram transportados em grandes caixas de madeira, semelhantes a caixões, para evitar danos os sensores montados em seu interior. Pelo mesmo motivo, quando retirados das caixas ou após recuperados no campo, os bonecos eram normalmente transportados dentro de sacos plásticos em macas. Em alguns lançamentos, os bonecos "vestiam" uma roupa de alumínio que protegia os sensores das baixas temperaturas encontradas a altas altitudes. Todos estes fatos, além de sua aparência, provavelmente contribuíram para sua identificação como corpos de alienígenas.

A hipótese de que os alienígenas avistados seriam na verdade bonecos é coerente com os relatos de várias testemunhas. John Ragsdale, por exemplo, quando entrevistado por Donald Schmitt disse "Eu tenho certeza que havia corpos... corpos ou bonecos". Vern Maltais (amigo de Grady Barnett) disse, relatando o que ouviu do amigo, "Suas cabeças eram lisas... sem sobrancelhas, sem pálpebras, sem cabelo." Gerald Anderson disse "Eu pensei que eles fossem bonecos de plástico...não achei que fossem de verdade".

Conclusões
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