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por Ana Luiza Barbosa de Oliveira mail
em em 20/04/04

Pesquisa científica sobre grafologia

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Mesmo que o embasamento da grafologia pareça precário, é necessário verificar se realmente existe uma ligação entre a caligrafia e a personalidade de alguém, através de estudos controlados.

Devido ao grande número de revistas científicas, milhares de artigos são publicados todos os meses sobre os mais diferentes assuntos. Além disso, nem todos os estudos são conduzidos e analisados da mesma forma, fazendo com que exista uma considerável variação na qualidade e confiabilidade de seus resultados e conclusões. Para clarear as coisas, uma ferramenta muito interessante é a meta-análise, que utiliza métodos estatísticos para analisar até mesmo centenas de trabalhos e descobrir um padrão geral, que dificilmente apareceria se cada estudo fosse analisado individualmente.

Em 1989, Brat Neter ( The predictive validity of graphological inferences: A meta-analytic approach) publicou uma meta-análise de 17 estudos grafológicos, que foram selecionados baseados no seguinte critério: conter dados suficientes que permitissem calcular um coeficiente de correlação das previsões dos grafólogos sobre sucesso profissional dos analisados e que este sucesso profissional fosse verificado através de algum resultado externo, tal como reconhecimento pela excelência na profissão ou sucesso em programas de treinamento. Foram comparadas as performances de grafologistas, de pessoas leigas no assunto e de psicólogos. O resultado foi desanimador, os grafologistas não se saíram melhor do que os leigos e ainda ficaram atrás dos psicólogos. Foi, ainda, comparado o desempenho dos grafologistas frente a amostras de caligrafia "neutras", onde não havia nenhuma informação biográfica do escritor, e o desempenho deles caiu vertiginosamente, o que leva a acreditar que muitas das informações são tiradas do texto e não da letra em si.

Geoffrey Dean também realizou uma meta-análise de mais de 200 estudos em diversas línguas, selecionados de acordo com os mesmos critérios do estudo de Neter, apresentado no livro The Write Stuff: Evaluations of Graphology -- The Study of Handwriting Analysis, e as conclusões são as mesmas de Neter: os grafólogos falharam sistematicamente em prever perfomance, aptidões e personalidade. Dean ainda apontou interessantes correlações, por exemplo: os estudos com melhores metodologias e publicados em jornais mais rigorosos no processo de revisão e seleção de artigos, em sua grande maioria era desfavoráveis à grafologia.

A grande maioria dos trabalhos cientificamente rigorosos não corrobora a tese dos grafologistas, que, no entanto, se agarram a estudos antigos do início e metade do século passado. Muitos destes não apresentam grupos de controle (exemplo: pessoas leigas também realizando as análises) e outros utilizavam como fato validante da análise grafológica o autoreconhecimento das pessoas no perfil traçado.

Uma lista razoável de referências sobre pesquisas científicas sobre grafologia podem ser encontradas no site Graphic Insight, porém ao contrário do que se poderia supor, muitas das referências citadas apresentam resultados contrários à grafologia.

A publicação do livro "The Write Stuff" em 1992 parece ter sido um grande marco na pesquisa científica sobre grafologia e a partir daí o interesse da comunidade cética sobre esse assunto diminuiu e poucos estudos têm sido realizados desde então. Isto não é incomum e tem ocorrido em outras áreas do conhecimento como, por exemplo, as pesquisas na área de parapsicologia: Anthony Freeman, editor do Journal of Consciousness Studies, revelou a dificuldade em produzir um jornal que mantivesse o equilíbrio entre artigos pró e contra os fenômenos psi, devido ao desinteresse da comunidade cética em pesquisar e escrever sobre o assunto (Journal of Consciousness Studies, 10, number 6-7, 2003).

Por outro lado, chama a atenção o fato de que vêm de Israel a maioria dos estudos favoráveis à grafologia, o que pode ser compreendido em termos culturais, já que vários mitos judaicos estão relacionados ao poder da palavra escrita ou falada.

A verdadeira ciência por trás da grafologia
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