Projeto Ockham
_Grafologia Grafologia

por Ana Luiza Barbosa de Oliveira mail
em em 20/04/04

Conclusão

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Se não há fundamento científico de que a grafologia seja capaz de predizer a personalidade de uma pessoa, porque é tão utilizada? O problema é que ela "soa verdadeira", pois seus princípios são baseados em metáforas e associações livres facilmente compreendidas por qualquer um. Por exemplo, pessoas espiritualizadas e bem educadas possuem pensamentos elevados, logo os pingos altos nos i's são uma indicação destas qualidades; assim como uma pessoa deprimida fica para "baixo", a escrita descendente indica depressão.

Além disso, muitas informações sobre uma pessoa podem ser tirados do texto em si e apesar de os grafólogos negarem que utilizam tais pistas, em uma entrevista para emprego geralmente é pedida para análise uma carta de apresentação de próprio punho e para consultas individuais geralmente são utilizadas cartas pessoais.

A análise grafológica é mais barata, simples e rápida do que conduzir entrevistas, aplicar testes cognitivos ou outros mecanismos para previsão e avaliação de desempenho. Junte a isso o já mencionado fato de que os gerentes e avaliadores nunca poderão saber se as pessoas dispensadas teriam um desempenho melhor do que aqueles "selecionados" pela grafologia. Existe um círculo vicioso: pessoas que deixam de se contratadas com base na análise da escrita ao descobrir a razão do "fracasso" procuram grafologistas para ajustar a letra às premissas da grafologia (obviamente pagando caro por isso) e passam nos testes de grafologia que a empresa aplica, após ter pagado caro pela consultoria grafológica também.

Nos EUA já se começa a especular que seria possível processar as empresas que usam grafologia para contratações e avaliações por difamação, "afirmar coisas sobre alguém sem ter base sólida para tal", com base nas leis contra discriminação existentes por lá. Realmente não há base científica sólida e também pode ser considerado discriminação deixar de contratar ou promover alguém por falta de habilidade motora para produzir uma letra agradável ao olhar dos grafologistas.

Referências

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http://www.handwritingpro.com/

http://www.graphologist.co.uk/

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Dean G. The bottom line: Effect size In: The Write Stuff: Evaluations of Graphology -- The Study of Handwriting Analysis. Amgerst, NY: Prometheus Books, 1992, pp 269-341.

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