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por Ana Luiza Barbosa de Oliveira mail
em 05/07/02

A aparente eficácia

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Apesar da falta de comprovação científica, inúmeras pessoas atestarão a eficácia dos remédios homeopáticos a partir de suas experiências pessoais. Por quê?

Dois efeitos contribuem para a aparente eficácia dos remédios homeopáticos. Em primeiro lugar, várias condições médicas de menor gravidade (por exemplo, uma gripe) têm uma regressão natural, mesmo que nenhum medicamento seja empregado. Ao observar esta regressão após tomar um medicamento ineficaz, a pessoa frequëntemente associará a cura ao medicamento, mesmo que este não tenha tido nenhuma participação no processo.

Outro efeito importante é conhecido como efeito placebo. Placebo significa em latim "eu vou agradar". O termo foi introduzido no século XIX para denominar remédios que eram receitados somente para agradar o paciente. Um placebo é definido como um tratamento que causa um efeito no paciente, apesar de não ter nenhuma ação específica na doença. Em outras palavras, é um medicamento "falso", cuja função é apenas fazer o paciente acreditar que está sendo tratado. O efeito placebo é bem documentado, sendo empregado nos testes de avaliação de novos medicamentos. Nesses testes se adota um procedimento conhecido como duplo cego. Isto significa que parte dos pacientes recebe o medicamento real e o restante recebe um placebo, sendo que nem os pacientes nem os médicos que aplicam os medicamentos sabem quem está recebendo o quê. Desta forma, é eliminada qualquer influência de fatores psicológicos na evolução da doença. Se o medicamento em teste apresentar resultados significativamente melhores que o placebo, sabe-se então que isto é realmente conseqüência de sua ação química no organismo. Dependendo da doença em questão a fração de pacientes que apresentam melhora após a administração do placebo pode ser superior a 30%.

Pode-se argumentar que se o efeito de um medicamento baseia-se unicamente no efeito placebo, isto não constitui um problema, já que a pessoa irá se curar de sua doenças sem sofrer efeitos colaterais resultantes da administração de remédios tradicionais. Isto é realmente válido para doenças auto-limitadas, que não apresentam consequências graves. Por outro lado, a administração de um placebo para doenças graves pode levar a sérias conseqüências (inclusive, em alguns casos, a morte). Este é um risco assumido conscientemente por pacientes que se oferecem voluntariamente para participar de pesquisas de novos medicamentos.

Outros fatores podem influenciar a percepção da eficácia de um medicamento. Um excelente texto sobre este assunto pode ser encontrado aqui.

Conclusões
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